O brilho, que parece obedecer a uma lógica de intensidade crescente, salta de pé para pé. De Moutinho para Varela, de Hulk para Falcao, num processo que rapidamente fermenta e até permite
marcar a centrais em noite de estreia. Foi assim com Otamendi, convidado a tornar o seu primeiro jogo no Dragão ainda mais cor-de-rosa do que as chuteiras que calçava. Antes mesmo de o génio de toda uma equipa começar a levantar fervura, Hulk já havia marcado, num lance que, prontamente anulado, serviria apenas de prenúncio do sufoco olhanense. Na origem do primeiro golo sancionado, o brasileiro apontou o segundo, depois de uma súbita intercepção de bola e de uma fuga ainda mais rápida, que só terminou com o violento balançar das redes defendidas por Moretto, mesmo antes do intervalo.A defesa menos batida da Liga era já a do FC Porto. A custo, o Olhanense reerguia-se, revelando sinais de vida, mas a engenhosa máquina de André Villas-Boas prosseguia, segura, o processo de trituração, bem para lá do instante em que Hulk saiu de cena. Do fino método de moagem, em que todos assumem a condição de intérpretes decisivos, não resultariam mais golos, apesar de merecidos e justificados a cada movimento de ataque que vaporizava a oposição, numa mescla rara em que genialidade e simplicidade se confundem.
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